Como calcular o valor da Pensão Alimentícia?

Afinal, qual é o valor correto da pensão alimentícia?

Uma das maiores dúvidas que surgem no consultório jurídico é:
“Quanto o pai do meu filho terá que pagar? É sempre 30%? É fixo? Calcula sobre qual valor?”

A famosa porcentagem de 30% se tornou uma “regra popular”, mas não é obrigatória.
O juiz pode fixar valor diferente, conforme:

  • necessidade da criança
  • possibilidade econômica do alimentante
  • proporcionalidade entre os pais

O mito dos 30%

Grande parte das ações ainda ingressa pedindo 30% sem qualquer cálculo real.
No entanto, o valor deve refletir o que a criança realmente necessita e o quanto cada pai pode contribuir.

Não é fórmula fixa.
É cálculo jurídico baseado em despesas comprovadas.


Como calcular a pensão alimentícia na prática

O valor precisa ser apresentado de forma objetiva e documentada.

1. Some os gastos comuns da casa

Exemplo de residência com mãe e criança:

DespesaValor
AluguelR$ 1.000,00
SupermercadoR$ 800,00
LuzR$ 150,00
ÁguaR$ 50,00
Internet e TVR$ 250,00
TotalR$ 2.250,00

A criança utiliza metade dessa estrutura.
Logo, gastos comuns atribuídos a ela: R$ 1.125,00


2. Some os gastos exclusivos da criança

DespesaValor mensal
Vestuário (R$ 2.000,00 ano)R$ 166,66
Plano de saúdeR$ 200,00
TransporteR$ 150,00
Atividade extracurricularR$ 75,00
LazerR$ 200,00
TotalR$ 791,66

3. Some todos os valores


Gastos comuns (R$ 1.125,00)

  • gastos exclusivos (R$ 791,66)

👉 Total de necessidade mensal da criança: R$ 1.916,66

Todos os valores (nota, boleto, recibo) devem ser apresentados no processo.


O valor deve ser dividido sempre meio a meio?

Nem sempre.

Existem dois princípios fundamentais:

Princípio da possibilidade

Analisa até quanto o alimentante pode pagar.

Exemplo:
Fixar R$ 1.500,00 para quem recebe salário mínimo é inviável e pode gerar inadimplência e processos.

Princípio da proporcionalidade

Analisa quanto cada pai ganha e divide o valor proporcionalmente aos rendimentos.


Exemplo prático de divisão proporcional
  • Pai: R$ 8.000,00 de renda
  • Mãe: R$ 1.600,00

O pai ganha 80% a mais, portanto contribuirá com maior parte.

Cálculo

Valor total da necessidade: R$ 1.916,66

  • Pai paga: R$ 1.533,33
  • Mãe fica com: R$ 383,33

Percentual real do pai: 19,17%, e não 30%.


Por que o cálculo correto evita conflitos

Quando o valor é calculado com base em:

✔ necessidades reais
✔ proporcionalidade
✔ comprovação documental

O resultado é mais justo, equilibrado e definitivo, evitando:

  • revisões constantes
  • brigas
  • ações de execução de alimentos

Conclusão

A pensão alimentícia não é número automático.

Ela deve refletir:

  • o que a criança precisa para viver com qualidade
  • o que cada responsável pode pagar
  • critérios legais de proporcionalidade e possibilidade

Assim, pais evitam litígios desnecessários e garantem o melhor interesse do menor.


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SEGUE UM VÍDEO RESUMO DO ARTIGO

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